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A Era do MIMIMI



Ao escrever este post, confesso que não sou muito liberal. Mas fui da geração Trapalhões. Da geração que cresceu vendo o politicamente incorreto e nem por isso deixei isso afetar meu ser. Curtia ver violência como entretenimento, ver piadas pesadas e nem por isso misturei as coisas por que sabia que era humor e sabia sempre diferenciar o que poderia ser aplicado a vida real ou não. Hoje em dia vivemos a era do politicamente correto em excesso. Quase que A Era do Apocalipse do mundo real e muito pior do que a Era de qualquer Ultron que venhamos a ver nos cinemas ou quadrinhos. Um tempo que nos faz ter saudades da Era de Prata dos quadrinhos.

No meio da onda avassaladora do politicamente correto tivemos recentemente a "censura" da capa da revista Batgirl na qual se fazia uma menção em uma capa alternativa a história A Piada Mortal, na qual Bárbara Gordon foi baleada e consequentemente ficou aleijada durante vários anos sendo somente revertido o quadro de Bárbara após os Novos 52, o reboot da DC Comics ocorrido em
2011.Gerou-se um mimimi danando por parte dos fãs da personagem, uns defendendo outros criticando a postura da DC ou do desenhista que no meio da pressão feminista conservadora mimizenta, solicitou para que a capa não fosse publicada( o que para mim ainda é uma forma de censura velada, por que é feio censurar com todas as letras,). De qualquer forma, independente dos argumentos gerados, vivemos uma situação parecida com a de 14 anos atrás. Os quadrinhos não foram jamais tão sutis quanto a 14 anos atrás. E o que houve há 14 anos atrás? Algo mais sério como o atentado as Torres Gêmeas do World Trade Center.Algo com certeza marcante e forte capaz de influenciar as pessoas na época.

Nessa época, o filme do Homem Aranha de Sam Raimi teve que alterar o final que tinha uma cena do Aranha no WTC e isso considerou-se que poderia criar um mal estar na população norte americana ainda abalada pelos eventos do atentado terrorista. Grant Morrisdon, defendeu que os quadrinhos de super-heróis não eram mais tão necessários após o 11/09, que as idéias deveriam ser amenizadas e quase voltamos a uma nova Era de Prata dos quadrinhos. Passado algum tempo tudo voltou ao normal.

Mas hoje em dia, principalmente em relação a imagem da mulher, muitas vezes vítima de assédios e abusos sexuais, os quadrinhos estão muito mais conservadores e acho que desnecessariamente.

Ano passado Milo Manara teve uma arte da Mulher Aranha julgada sensual demais pelo público e por isso causou até o constrangimento do Milo Manara ter que pedir desculpas ao público sendo que o que o Manara faz é justamente isso: arte erótica e na verdade a arte da Spider Woman não era tão sensual, só uma pose aracnídea, assim como a do Peter Parker nas fases do Erik Larsen e Todd McFarlane. Será que os desenhos do Aranha escalando paredes em posição de quatro, vão ser consideradas no futuro uma incitação ao homossexualismo então? Essa cena do Deadpool nas costas dele?


A capa da Batgirl sofreu, queiram ou não admitir, uma forma de censura por mais que se justifique que a personagem hoje em dia é diferente, que sua revista é focada para um público mais adolescente feminino  e podemos dizer também que é só uma capa mas a questão é que o buraco é mais embaixo. Sou fã da Bárbara, principalmente como Oráculo, ali sim a personagem foi desenvolvida de forma inédita e como sempre achei que faltava alguém no universo do Batman e que se expandiu para  toda a DC mostrando aquele lado heróico de superar adversidades ou se adaptar a elas. Mas a história aconteceu e queiram ou não foi um dos melhores momentos da personagem, mesmo envolvendo um possível abuso sexual(confirmado por imagens recentes)  e violência contra mulher. mas quadrinhos é isso. Escapismo associado com algo na vida real para gerar identificação com o público e alertar para problemas da sociedade. Será que tapar o sol com a peneira faz com que diminuam os estupros? Será que ao ler uma HQ alguém vai tentar praticar o mal só por que viu numa hq?

A realidade é que vivemos tempos de super proteção da sociedade formando uma geração do medo ( graças a Odin sou da geração Trapalhões, reafirmo)  e o público está cada vez mais se chocando com fatos que sempre afetaram a sociedade e que antigamente se tirava de letra ou se convivia numa boa. Citemos alguns exemplos a mais.

A Image Comics hoje em dia não deveria ter tanto sucesso já que na época de seu lançamento só tinha heroína semi nua. E nunca vi nenhuma matéria sobre estupradores fãs de heroínas Image.



Claro que conscientização do público deve haver sempre, mas as hqs fazem isso ao seu modo e A Piada Mortal te faz detestar o Coringa.  Na publicação original não fica claro, dividindo-se opiniões sobre se o Coringa foi ou não longe demais,porém alguns anos atrás imagens não finalizadas contendo cenas de nudez que a  DC tirou na época(opa, será que A Piada Mortal já não era pesada até para os anos 80?),mostram que deve  ter ocorrido sim   abuso com a personagem.

Mas atualmente a revista da Batgirl como disse,está diferente. Melhor seria ter retirado A PIADA  Mortal da cronologia da personagem, já que hoje com os New 52 a publicação da BatGirl é focada em um público feminino que lê Capricho, que suporta ver que sua personagem favorita dormiu com um cara e não se lembra, mas não pode escutar ou ver algo relacionado a violência. Isso aí embaixo pode.
E sem fazer apologia a estupro nem algo do tipo, mas Bárbara ter superado isso foi foda, uma barra na verdade e causa muito mais identificação com a personagem por alguém que tenha passado infelizmente por uma situação dessa do que tapar o sol com a peneira. Ricardito (Arsenal) tem problemas com drogas e isso serviu de alerta da DC Comics para jovens com problemas de dependência se identificarem com o herói e sua luta para se livrar dos tóxicos. A Mia, a nova Ricardita morava nas ruas e tinha AIDS e isso foi trabalhado bem na revista do Arqueiro Verde. Coringa matou Jason Todd a pauladas e daí entra a violência infantil. Então por que não mostrar uma Bárbara Gordon que superou uma grande adversidade que aflige infelizmente ressalto, muitas mulheres ?E olha que estou me referindo a apenas uma capa não a uma história completa, nem citações haveriam. Exagero demais? Mimimi em excesso?  Talvez sim,mas se por uma capa tem esse melindre todo de repercussão, imagina se fosse para uma história mesmo.  Só me convenceria não poder utilizar a capa se 1º) Piada Mortal tivesse sido desconsiderada da cronologia DC , o que não foi feito ainda ou 2º)se a  revista da Batgirl se passasse fora do Universo DC tradicional, algo numa linha alternativa da editora.

O Superman morreu uma vez nas mãos do Apocalypse ficando todo machucado, sangrado e morto (óbvio). Será que no dia  em que tivermos meios de prolongar indefinidamente a vida, teremos melindres quanto a morrer e histórias de mortes serão abolidas?

Nesse dia nem sei se valerá mais a pena viver , mas ler HQs com certeza não valerá mais nada.




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Anônimo
21 de março de 2015 18:55

e o que queriam na capa , o coringa dando flores para aquela que sempre estraga seus planos? ora , o que um super vilão quer fazer com um super herói ou heroina ?

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